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HD, SSD e NVMe: Armazenamento de Dados para Concursos

Por Fernando Lisboa9 min de leitura12 questões

HD, SSD M.2 NVMe e pendrive lado a lado, representando os dispositivos de armazenamento de dados do computador

Armazenamento é um dos temas de hardware que mais rendem questões, e quase sempre pelos mesmos motivos: confundir HD com SSD, tratar M.2 como se fosse velocidade e achar que RAID substitui backup. Se você dominar essas três ideias, já resolve boa parte do que a banca cobra.

Este artigo aprofunda a seção de armazenamento do guia geral de hardware para concursos. Você vai ver como funcionam HD e SSD, o que separa SATA de NVMe, quais são as mídias removíveis e o que cada nível de RAID faz. No fim, há 12 questões autorais comentadas para testar o que aprendeu.

Memória principal x secundária: por que armazenamento cai em prova

O computador separa a memória em dois grupos. A memória principal (registradores, cache, RAM e ROM) conversa diretamente com o processador. A memória secundária guarda os dados de forma permanente, mesmo com o computador desligado: HD, SSD, pendrive, cartões e mídias ópticas.

A consequência prática é um clássico das provas: a CPU não executa um programa direto do HD ou do SSD. O sistema operacional carrega o programa na RAM e só então o processador trabalha com ele. Se quiser rever essa divisão com calma, o artigo sobre memórias RAM, ROM e cache explica cada uma.

Um detalhe complementa o assunto: para guardar arquivos, o dispositivo precisa ser particionado e formatado com um sistema de arquivos, como NTFS ou FAT32. Esse ponto tem artigo próprio sobre sistemas de arquivos.

HD: discos magnéticos e partes móveis

O HD (hard disk drive, ou disco rígido) grava os dados em pratos magnéticos que giram em alta velocidade. Uma cabeça de leitura e gravação se desloca sobre a superfície do prato para ler ou escrever cada trecho. A velocidade de rotação costuma ser indicada em RPM (rotações por minuto), com valores como 5.400 e 7.200 nos modelos comuns.

Como o HD depende de motor, pratos e cabeça em movimento, ele tem três características que você deve associar a ele:

  • o acesso é mais lento, porque a cabeça precisa se posicionar e o prato precisa girar até o ponto certo;
  • é mais sensível a impactos e quedas, principalmente com o equipamento ligado;
  • produz mais ruído e calor do que um SSD.

Em compensação, o HD costuma oferecer mais capacidade por um preço menor, o que o mantém comum em backups e armazenamento de grandes volumes.

SSD: memória flash sem partes móveis

O SSD (Solid State Drive) armazena os dados em chips de memória flash, controlados por um circuito próprio. Não há disco girando nem cabeça se movendo, e por isso ele é mais rápido, silencioso, leve e resistente a impactos. Também consome menos energia, o que ajuda a bateria dos notebooks.

Duas ressalvas aparecem em prova. A primeira: o SSD é não volátil, ou seja, mantém os dados sem energia, como o HD. Chamá-lo de memória volátil é erro. A segunda: cada célula de flash suporta um número limitado de gravações, então o desgaste existe, embora nos usos comuns o SSD dure por anos.

Um efeito curioso dessa diferença é a desfragmentação. Ela faz sentido para o HD, porque reunir os pedaços de um arquivo reduz o deslocamento da cabeça. No SSD, não há cabeça para deslocar.

SATA x NVMe: interface não é formato

Aqui nasce a maior parte das pegadinhas. Para entender, separe três conceitos que as pessoas misturam.

SATA é uma interface de conexão criada para HDs. A versão mais comum, SATA 6 Gb/s (também chamada de SATA III), tem velocidade teórica de 6 gigabits por segundo, o que dá algo próximo de 600 MB/s de taxa útil. Um SSD SATA não passa dessa ordem de grandeza, mesmo sem ter partes móveis.

NVMe é um protocolo desenvolvido para SSDs ligados ao barramento PCI Express (PCIe). A organização NVM Express o define como a interface de registradores e o conjunto de comandos para armazenamento conectado via PCIe, e o descreve como o padrão de fato para SSDs PCIe. Como o PCIe oferece muito mais banda que o SATA, um SSD NVMe pode alcançar milhares de MB/s, ou seja, vários GB/s, dependendo da geração do PCIe. Esses valores são teóricos ou típicos e variam conforme o modelo.

M.2 é o formato físico: o pequeno encaixe, em formato de pente, onde o SSD é preso diretamente na placa-mãe. M.2 não diz nada sobre velocidade. Um SSD M.2 pode usar SATA ou pode usar NVMe, e a ranhura da placa-mãe precisa ser compatível com o tipo escolhido. A própria Microsoft, ao listar os discos aceitos no Windows Server, trata SATA e NVMe (M.2, U.2 e placa de expansão) como categorias distintas.

O quadro abaixo organiza o raciocínio:

ConceitoO que éExemplo
SATAInterface/protocoloHD e SSD de 2,5” ou M.2
NVMeProtocolo sobre PCIeSSD de alto desempenho
M.2Formato do encaixeSSD SATA ou SSD NVMe

Resumindo: SSD SATA pode ser de 2,5 polegadas ou M.2; SSD NVMe pode ser M.2, U.2 ou uma placa que se encaixa direto no slot PCIe. Portanto, “todo SSD M.2 é NVMe” está errado, e “NVMe é um tipo de encaixe” também.

HD x SSD: comparação direta

CaracterísticaHDSSD
TecnologiaPratos magnéticosMemória flash
Partes móveisSimNão
VelocidadeMenorMuito maior
Resistência a impactosMenorMaior
Custo por GBMenorMaior

Na prova, a banca costuma trocar os lados: atribui “partes móveis” ao SSD ou “memória flash” ao HD. Decore a coluna da tecnologia e o resto se encaixa.

Mídias removíveis: pendrive, cartões e discos ópticos

O pendrive e os cartões de memória (SD, microSD) usam memória flash. São não voláteis, portáteis e regraváveis. O pendrive conecta-se por USB, e os cartões entram em leitores próprios, como os de câmeras e celulares. Lembre: tirar o pendrive da porta não apaga nada, porque ele não é volátil.

As mídias ópticas são lidas e gravadas por um feixe de laser:

  • CD: cerca de 700 MB (os primeiros discos tinham 650 MB);
  • DVD: 4,7 GB em camada simples e 8,5 GB em camada dupla;
  • Blu-ray: 25 GB em camada simples e 50 GB em camada dupla, lido por um laser azul.

A ordem de capacidade é CD, DVD e Blu-ray, do menor para o maior. As siglas com R (como CD-R e DVD-R) gravam uma única vez, e as com RW (CD-RW, DVD-RW) podem ser regravadas.

RAID: vários discos trabalhando como um só

RAID (Redundant Array of Independent Disks) é uma técnica que combina vários discos em um único volume para ganhar desempenho, segurança contra falha de disco, ou os dois. Três níveis aparecem com mais frequência:

  • RAID 0 (striping): divide os dados em blocos distribuídos entre os discos, o que melhora leitura e gravação. Exige no mínimo 2 discos e não tem tolerância a falhas: se um disco falhar, o volume inteiro fica comprometido. A capacidade útil é a soma de todos os discos.
  • RAID 1 (espelhamento): grava uma cópia idêntica dos dados em cada disco. Exige no mínimo 2 discos e continua funcionando se um falhar. Em contrapartida, com dois discos iguais, você aproveita só a capacidade de um.
  • RAID 5 (striping com paridade): distribui dados e informação de paridade entre os discos. Exige no mínimo 3 discos, tolera a falha de um deles e perde a capacidade equivalente a um disco, que fica com a paridade. Segundo a documentação da Microsoft, quando um disco falha, o desempenho de leitura diminui até a reconstrução.

Existe ainda o RAID 10 (1+0), que combina espelhamento e divisão em blocos e usa no mínimo 4 discos.

RAID não é backup

Este é o ponto mais explorado pelas bancas. RAID protege contra a falha física de um disco, mas não contra apagar um arquivo por engano, ransomware, vírus, incêndio ou furto. Se um arquivo é excluído em um RAID 1, ele some dos dois discos ao mesmo tempo, porque o espelho copia tudo, inclusive o erro.

Backup é uma cópia separada, que pode ser restaurada depois. Para entender como montar essa proteção, veja a regra 3-2-1 de backup e os tipos de backup (completo, incremental e diferencial).

E a nuvem?

O armazenamento em nuvem funciona de outro modo: os arquivos ficam em servidores de um provedor e você os acessa pela internet, sem depender de um disco seu. Isso facilita o acesso de qualquer lugar e funciona como uma cópia fora do local, mas exige conexão e depende do serviço contratado. O artigo sobre cloud storage mostra as vantagens, os riscos e como a banca costuma cobrar o tema.

Pegadinhas mais comuns sobre armazenamento

  • M.2 x NVMe: M.2 é formato; NVMe é protocolo. Um SSD M.2 pode ser SATA.
  • SSD é volátil: errado. O SSD, o pendrive e os cartões são não voláteis.
  • Velocidade do SSD: SSD SATA e SSD NVMe usam memória flash, mas não têm a mesma velocidade, porque a interface muda o limite.
  • Partes móveis: só o HD tem. O SSD não tem.
  • RAID x backup: RAID não substitui backup. RAID 1, aliás, copia os erros.
  • RAID 0: é o único dos três que não tem redundância, apesar do nome “Redundant”.
  • Execução de programas: a CPU executa o que está na RAM, não o que está no HD ou no SSD.
  • Capacidade das mídias ópticas: CD (cerca de 700 MB), DVD (4,7 GB) e Blu-ray (25 GB), todos em camada simples. Atenção às camadas duplas.
  • Termos absolutos: “todo”, “sempre”, “somente” e “exclusivamente” costumam sinalizar um item errado.

Perguntas frequentes

SSD NVMe e SSD M.2 são a mesma coisa?

Não. M.2 é o formato do encaixe, enquanto NVMe é o protocolo de comunicação. Existem SSDs M.2 que usam SATA e outros que usam NVMe. Também existem SSDs NVMe em outros formatos, como U.2 e placas de expansão.

O SSD perde os dados quando o computador é desligado?

Não. O SSD usa memória flash, que é não volátil, e mantém os dados sem energia. A memória que perde o conteúdo ao desligar é a RAM.

Qual nível de RAID protege contra a falha de um disco?

O RAID 1 e o RAID 5 toleram a falha de um disco. O RAID 0 não tem essa proteção. Mesmo assim, nenhum nível substitui o backup, que protege contra exclusão acidental, malware e desastres.

Por que o HD é mais lento que o SSD?

Porque o HD depende de partes mecânicas: o prato precisa girar e a cabeça precisa se posicionar para ler cada dado. O SSD acessa chips de memória flash eletronicamente, sem nenhum movimento físico.

Conclusão

Para armazenamento, guarde a lógica por trás das siglas. HD usa discos magnéticos e partes móveis; SSD usa memória flash; SATA e NVMe são formas de comunicação, e M.2 é só o formato do encaixe; pendrive e cartões são flash e não voláteis; RAID aumenta desempenho ou tolerância a falhas, mas nunca substitui o backup.

Para fixar, resolva as questões comentadas logo abaixo e depois faça o simulado de Hardware, que reúne mais questões sobre o tema.

Fontes e Referências

  • NVM Express. NVM Express Specifications.
  • Microsoft Learn. Storage Spaces Direct hardware requirements.
  • Microsoft Learn. RAID Levels and SQL Server (documentação arquivada).
  • SATA-IO. Serial ATA International Organization (sata-io.org).
  • PCI-SIG. PCI Express Specifications.
  • TANENBAUM, Andrew S.; AUSTIN, Todd. Organização estruturada de computadores. 6. ed. São Paulo: Pearson, 2013.
  • STALLINGS, William. Arquitetura e organização de computadores. 10. ed. São Paulo: Pearson, 2017.

Questões comentadas

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  1. Questão 1Estilo Cebraspe

    O HD grava os dados em pratos magnéticos giratórios, lidos por uma cabeça de leitura e gravação; por depender de partes mecânicas, é mais sensível a impactos que o SSD.

  2. Questão 2Estilo Cebraspe

    O pendrive utiliza memória flash volátil, de modo que os arquivos nele gravados são apagados quando o dispositivo é retirado da porta USB.

  3. Questão 3Estilo Cebraspe

    O M.2 é um formato físico de encaixe; por isso, um SSD M.2 pode operar tanto com o protocolo SATA quanto com o protocolo NVMe.

  4. Questão 4Estilo Cebraspe

    No RAID 1, os dados são divididos em blocos distribuídos entre os discos, com o objetivo de aumentar o desempenho, sem qualquer redundância das informações.

  5. Questão 5Estilo Cebraspe

    Uma empresa que adota RAID 5 em seu servidor de arquivos pode dispensar as rotinas de backup, já que a paridade garante a recuperação de qualquer dado perdido.

  6. Questão 6Estilo Cebraspe

    A interface SATA III possui taxa teórica de 6 Gb/s, o que a limita a algo próximo de 600 MB/s; já um SSD NVMe conectado ao barramento PCIe pode superar esse patamar.

  7. Questão 7Estilo Cebraspe

    Como todo SSD utiliza memória flash, um SSD SATA e um SSD NVMe apresentam, necessariamente, a mesma velocidade de leitura e gravação.

  8. Questão 8Estilo Cebraspe

    O processador não executa os programas diretamente a partir do HD ou do SSD: o sistema operacional os carrega antes na memória RAM.

  9. Questão 9Estilo FGV

    Considere as mídias ópticas em camada simples. A alternativa que as apresenta em ordem crescente de capacidade de armazenamento é:

  10. Questão 10Estilo Vunesp

    Um técnico precisa montar um volume com dois discos idênticos que continue funcionando caso um dos discos falhe, aceitando aproveitar apenas a capacidade de um deles. A configuração mais adequada é:

  11. Questão 11Estilo FGV

    Sobre os conceitos de NVMe, M.2 e SATA no armazenamento em estado sólido, assinale a afirmativa correta.

  12. Questão 12Estilo Vunesp

    Um servidor usa quatro discos de 1 TB cada, organizados em RAID 5. Nessa configuração, a capacidade útil aproximada e o número de falhas de disco toleradas são, respectivamente: